Angustiante, com sentimento de abandonado, revoltado e indignado, é o que descreve a carta escrita de próprio punho pelo ex-secretário da SEJUCEL, Júnior Lopes, enquanto esteve preso por conta dos desdobramentos da operação Dionísio, deflagrada pelo Ministério Público de Rondônia, e que investiga possíveis crimes lesivos ao erário público na realização dos eventos populares no estado da Expoviola 2023, e Expovel de 2023 e 2024.
Junior estava com prisão preventiva decretada e poderia ficar até 90 dias na cadeia, mas a justiça concedeu nesta segunda-feira (23), habeas corpus em seu favor revogando a prisão e o colocando em liberdade.
Exonerado do cargo de secretário pelo governador no mesmo dia da prisão, sexta-feira (13), Junior Lopes relata o seu sentimento de dor por estar sofrendo o que ele considerou ser uma “injustiça”.
Na carta ele afirma que essa “injustiça” tem como decorrência o racismo estrutural do país, e relata ter se tornado normal prender pobre, negro e favelado.
– Empurraram os pretos, pobres, trabalhadores na prisão, e todo mundo bate palma, divulga, e vibra sem sequer me ouvir, pois são bons demais para dar ouvido a um preto jogador de futebol que só queria ajudar – escreveu Júnior em um trecho da carta.
O ex-secretário também relata o abandono que ele vem sentindo por parte dos membros da sua congregação evangélica. – Estou morrendo aos poucos, cadê as igrejas que ajudei, os filhos que ajudei, as pessoas que eram gratas pela minha vida, se esqueceram de que eu estou aqui sofrendo. Eu ainda sou o Júnior Lopes que vocês disseram que me amavam olhando nos olhos – descreve em seu desabafo.
Em outro relato ele se sente extremamente decepcionado – Fui mal interpretado pelos maldosos e abandonado por quem honrei, estou extremamente decepcionado com as pessoas que tem o prazer em ver a desgraça dos outros –
CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA